Por: Marco Aurelio Lopes

Quando você assiste um jogo do Vancouver Canucks, o capitão Markus Naslund é sem dúvida um dos nomes de mais identificação na equipe. Tal empatia com a cidade e a torcida lhe rendeu o posto de "Capitão Canuck", herdado do igualmente ídolo Trevor Linden, que era detentor do título nos anos 90. No entanto, os fãs mais saudosistas certamente lembrarão também do primeiro verdadeiro "Capitão Canuck", um jogador que por 13 temporadas, toda a sua carreira na NHL, envergou as cores dos seus Canucks, sendo que em oito delas usando o "C" de capitão bordado em sua camisa. Estamos falando de Stan Smyl, o "Steamer", jogador considerado por muitos até hoje como o maior nome a defender o Vancouver Canucks.

Produto do fortíssimo time do New Westminster Bruins, da Liga de Hóquei da Costa Oeste (WCHL, liga amadora), onde jogou de 1975 até 1978 e venceu duas Copas Memorial — e ainda disputando outras duas finais —, Smyl era visto pelos olheiros da NHL com certa desconfiança, não pela sua capacidade ofensiva e pelo seu estilo "two-way" — atacando e defendendo com a mesma eficiência —, mas pelo seu porte físico, considerado frágil para a agressiva (até mesmo violenta) NHL do final dos anos 70. Mas o então gerente geral do Vancouver, Jake Milford, assumiu o risco e selecionou o jovem Stan com a 40.ª escolha do recrutamento de 1978. Uma escolha apenas de terceira rodada, mas que provou ser certeira, pois naquele momento os Canucks estavam acolhendo um nome que traria muitas alegrias para a torcida em Vancouver.

Sua primeira temporada na NHL foi a de 1978-79, e logo Smyl mostrou que as dúvidas que pairavam sobre sua capacidade de manter o bom nível mostrado na WCHL também na NHL logo seriam dissipadas. Seus 14 gols e 38 assistências (62 pontos) foram suficientes para cativar de vez os torcedores dos Canucks com seu novo camisa 12. Como se não bastasse, Smyl ainda mostrou ser uma verdadeira "peste", exibindo um jogo agressivo até então impensado para um jogador de sua habilidade e especialmente de seu porte. Mas seus 89 minutos de penalidades foram a prova definitiva que Smyl não estava nem aí para os que duvidaram dele. Na verdade, dúvidas que só existiram fora de Vancouver, pois desde os primeiros treinos ele já mostrava que não se intimidaria com os trancos adversários.

E foi justamente essa combinação de talento ofensivo e agressividade que fez de Smyl um nome reconhecido não só em Vancouver, mas como em toda a NHL. Na temporada seguinte, superou a marca dos 30 gols, fato que viria a repetir mais duas vezes na carreira, e estabeleceu seu recorde de penalidades, totalizando 204 minutos em 77 jogos, nada mal para um jogador de menos de 1,80m. Nessa temporada, Smyl liderou o time em gols (31), assistências (47), pontos (78) e minutos de penalidades (204). Até hoje, nenhum outro jogador da NHL conseguiu liderar sua equipe em uma temporada nessas quatro categorias. Dois anos mais tarde, Smyl atingiria a marca dos cem gols na carreira e levaria os Canucks à sua primeira decisão de Copa Stanley. Infelizmente para os canadenses, eles enfrentaram o poderoso New York Islanders na final, que conquistou sua segunda Copa consecutiva, varrendo a série em quatro jogos.

Após essa temporada, no entanto, Smyl viveu bons e maus momentos. No começo da temporada 1982-83, herdou de Kevin McCarthy o título de capitão da equipe. Porém, a equipe não herdou o bom momento da campanha anterior. Por dois anos seguidos, os Canucks foram eliminados pelos rivais de Calgary na fase preliminar dos playoffs. Nos anos seguintes, a equipe nem se classificou para a pós-temporada. Aliás, playoffs só em 1989, onde novamente os Flames apareceram no caminho de Smyl e dos Canucks, e mais uma eliminação em primeira rodada (desta vez, em prorrogação do sétimo jogo). Apesar da má fase do time, o capitão de Vancouver ainda conseguia mostrar tremenda regularidade, marcando pelo menos 20 gols por temporada (até 1987) e superando os cem minutos de penalidades em nove temporadas.

Após a temporada 1987-88, Stan Smyl começou a ter uma queda na sua produção ofensiva, marcando apenas 12, sete, um e dois gols nas temporadas seguintes. No entanto, Smyl sempre se manteve fiel aos Canucks, mesmo não sendo mais o mesmo do início dos anos 80 e com as temporadas difíceis do time. Smyl continuou por lá até a temporada 1990-91 — nesta, Smyl já não era mais o capitão da equipe, tendo cedido o posto aos jovens Trevor Linden, Doug Lidster e Dan Quinn, que dividiram-no. Assim, ao final da temporada 1991, Stan Smyl despediu-se do Vancouver Canucks. Mas provando toda a sua identificação com a equipe, Smyl apenas trocou os patins e uniforme pelo terno e gravata, passando imediatamente a atuar como auxiliar técnico da equipe, posto que manteve até 1999. Após esse aprendizado, foi conduzido ao posto de técnico principal de equipes afiliadas ao Vancouver Canucks, mais recentemente o Manitoba Moose, que dirigiu por três temporadas.

Quando encerrou a carreira de jogador, Smyl detinha vários recordes da equipe, entre eles o de jogos, gols, assistências e pontos. Recordes estes que perduraram por várias temporadas, sendo a grande maioria deles superada pelo próprio Linden. Além destes, Smyl ainda é até hoje o único jogador a ter sua camisa, a 12, oficialmente aposentada — a 11, que pertenceu a Wayne Maki, não é mais usada, mas não foi declarada "retirada" —, um evento que ocorreu logo após sua aposentadoria, no dia 3 de novembro de 1991. Atualmente, e como em toda sua carreira profissional, Smyl segue vinculado aos Canucks, como diretor de desenvolvimento de jogadores recrutados e como olheiro da equipe. Com todo esse currículo e 26 anos de serviços prestados à equipe que confiou nele, o Vancouver Canucks, sendo ainda o jogador que mais tempo atuou como capitão do time, Stan Smyl provou e prova até hoje por que merece ser considerado o pioneiro dos "Capitães Canuck".

Stan Phillip Smyl
Ponta-direita, nascido em 28/01/1958 em Glendon, Alberta, Canadá.
1,75 m e 86 kg.

Carreira na NHL — sempre no Vancouver Canucks:
Temporada regular (1978-1992): 896 jogos, 262 gols, 411 assistências, 673 pontos e 1556 minutos de penalidades.
Playoffs (1978-1992): 41 jogos, 16 gols, 17 assistências, 33 pontos e 64 minutos de penalidades.

Marco Aurelio Lopes voltará na próxima edição de TheSlot.com.br e aproveita para mandar um beijo enorme para sua mamãe, na semana de comemoração de seu aniversário.
Fonte: BCHHF.com
Como júnior, liderou o New Westminster Bruins a quatro finais da Copa Memorial da Liga de Hóquei da Costa Oeste. Aqui, levantando uma das duas taças que conquistou.
Fonte: LegendsofHockey.com
O jovem Stan, recém-recrutado pelo Vancouver Canucks, onde faria história, mesmo desafiando os críticos.
Fonte: LegendsofHockey.com
Smyl, capitão em Vancouver. Nenhum outro Canuck manteve esse posto por tantas temporadas.
Joe Pelletier/LegendsofHockey
O primeiro grande "Capitão Canuck", vibrando mais uma vez em seu palco preferido: o gelo do antigo Pacific Center
Fonte: BCHHF.com
Já sem o "C" na camisa, mas ainda passando experiência e mostrando o mesmo estilo de jogo de sua temporada como calouro.
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Página publicada em 21 de março de 2007.